A Fuga das Minhocas


Você já conhece a Ana Beatriz de Souza e Souza? Pois ela é a personagem principal do livro que escrevi sobre compostagem – e que inspirou esse blog. A Fuga das Minhocas, ilustrado pelo grande Orlando Pedroso, conta a história de um grupo, liderado pela espevitada Ana Beatriz, que foge de um herbário e acaba conhecendo a, literalmente, dura realidade de São Paulo. Ela tem nome de princesa, porte de modelo, mas é apenas uma minhoca. Apenas?!? Parece que quem está escrevendo esse blog não sabe a importância desse animalzinho na cadeia alimentar...



quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Amor pela terra



Na ultima segunda, contei A Fuga das Minhocas para turminhas das escolas do Pavao e da Maromba e para um grupo do Arcanjo Gabryel, que acolhe, em Penedo, portadores de necessidades especiais (http://www.arcanjogabryel.org.br). Acho que curtiram a historia, as ilustras do Orlando e a aventura de Ana Beatriz de Souza e Souza, mas o grande barato dos meninos e adultos foi encontrar nossas “personagens” no belo composto do Joaquim, um arduo defensor e propagador da compostagem.


A menina da foto, linda, linda!, ilustra o amor que podemos ter até pelos mais pequeninos (e arredios) seres da terra :)

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Compre já!





Amigos, fechei contrato com a editora Nova Alexandria (oba!), mas para ver A Fuga das Minhocas publicada ainda em 2011, optei por bancar uma pequena tiragem. A-do-ra-ria dar todos os exemplares de presente, but... preciso pagar a gráfica. Façam, pois, suas encomendas e resolvam as comprinhas espertas de Natal:

1 exemplar 30 pratas
2 exemplares 55 pratas
3 exemplares 80 pratas.




Correio incluído :)


Quer encomendar? Basta fazer o deposito no Itau e mandar seu end. Acertamos por e-mail: raquel.ri@uol.com.br

Festa na Sabor



Silvia e Sabrina, da Sabor de Fazenda, onde começa a história de A Fuga das Minhocas, fizeram uma bela festa para comemorar o lançamento do livro, dia 5 de novembro. Lindas e muito queridas, as duas transformaram um pedacinho cinza da Vila Maria, bairro paulista, em um paraíso de ervas e temperos. Com composteiro e minhocário, o lugar é um paraíso para muitos bichinhos. Vale uma visita: http://www.sabordefazenda.com.br/

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Brinquedo de criança, comida de minhoca



“Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, já dizia o sábio Antoine Lavoisier. Mas como respeitar essa lei num mundo de plástico, material que se recusa a se decompor? Well,... evitando-o! Os holandeses, alemães e outros europeus mais conscientes simplesmente recusam o “made in China” e oferecem às crianças brinquedos duráveis, estéticos e feitos de madeira. Esse mimoso porta-lápis é um exemplo de presente bon marché, útil, delicado e que promete durar beeem mais do que tranqueiras à la 1,99 reais. Nossas minhocas aprovam a “novidade”, que é um resgate da infância-antes-do-petróleo. Afinal, ao contrario do plástico, pedacinho de madeira entra no cardápio das nossas amigas :)

sábado, 16 de julho de 2011

O Comilão



A Ecologico-Logic, empresa norteamericana, criou “O Comilão”, máquina capaz de converter massa orgânica em adubo líquido em menos de uma hora! Com ajuda de microorganismos aeróbios, ela reduz drasticamente os resíduos: uma tonelada é transformada em 600 quilos de adubo líquido e sólido, sem produz mau cheiro, odores ou gases tóxicos. A Empresa está trabalhando no projeto para aumentar a capacidade de 50 toneladas/dia, o que será fantástico para fins industriais e agrícolas. Ainda pretende comercializar, no futuro, modelos compactos para restaurantes, hotéis e residências. O planeta e os catadores agradecem!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Para entrar na moda

Quando fiz, com o Jean, o Guia de Compostagem Caseira, no inicio de 2006, não havia praticamente nada sobre o tema na web. Em português, achei um ou outro projeto universitário e o super programa de compostagem no Seixal (Portugal), referência hoje em toda a União Europeia (www.cm-seixal.pt/compostagem). Agora, trabalhando na segunda edição, vejo que o composteiro está a um passo de entrar na moda! Há modelos industrializados para todos os esrilos de residências. O mais inusitado é esse da foto: trata-se do “compostor Bio-Orb”, uma big bola feita de plástico reciclado. Basta rolar para virar seu conteúdo (e assim aerar o composto) e, com uma mangueira, regar de vez em quando. Divertido e útil cabe em qualquer jardim!
Mais informações no indispensável http://vidasustentavel.perus.com/

terça-feira, 7 de junho de 2011

A minhoca em detalhes

http://www.papodeminhoca.blogspot.com
Esse blog é a cara da Ana Beatriz de Souza e Souza: conta tudo sobre o corpinho dela! Escrito por uma estudante de veterinária, a Vi Pedrinelli, tem uma linguagem gostosa, mostra até como nossos amigos são por dentro e usa informações de um site super sério: http://www.sna.agr.br/cria_minhoca.htm. A Vi tem um composteiro caseiro, o minhocasa (que merece um post especial), e fala dos cuidados que precisa ter para tirar o melhor húmus no melhor tempo.

terça-feira, 24 de maio de 2011

“99 não é 100”



“99 não é 100”, diz um personagem supercarismático do imperdível documentário Lixo Extraordinário. Reforça o principio de que cada um deve fazer sua parte e de cada embalagem que deixa de ser consumida/descartada faz diferença – que o diga Peri, o homemrefluxo! Sua próxima empreitada tem data marcada: durante uma semana, 7 pessoas (ele inclusive) vão guardar seu lixo pessoal em 7 capas. Na imagem dá pra sacar o estilo ParangoLixoLuxo e o peso, literalmente, de ser um consumidor consciente. A ação faz parte do projeto Clima e Consumo em São Paulo e esta detalhada no site http://www.homemrefluxo.com/

terça-feira, 10 de maio de 2011

Faça você mesmo

Enquanto escrevia a Fuga, bolei, com ajuda do Jean, meu parceiro de todas as horas, um Guia de Compostagem Caseira. Ilustrado, bem didático, ajuda até quem mora em apê a dar um destino nobre ao lixo orgânico. Os exemplares estão esgotados, mas o pdf para download gratuito está na web: http://www.lixo.com.br/
Esse site, aliás, merece uma longa visita :)

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Lixo consciente

Todo mundo já esta cansado de ouvir falar de reciclagem – o que não significa que estejam separando o próprio lixo! Em todo caso, há algo a ser feito antes disso: preciclar!
Traduzindo: pensar antes de comprar, avaliar o resíduo que essa compra já esta gerando. Caso das tranqueiras made in China, que não duram nada e vem em um monte de embalagem. Caso também da cerveja em lata. Uai, mas latinha não é reciclável? é, sim. Mas o processo de reciclagem tb tem custo financeiro e ambiental. Melhor optar pelo velho e bom casco retornável.

“Preciclar é pensar que a história das coisas não acaba quando as jogamos no lixo. Tampouco acaba a nossa responsabilidade!”
Pólita Gonçalves

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Felipe, lindo e muito esperto




A vontade de escrever A Fuga das Minhocas nasceu no herbário Sabor da Fazenda, quando conheci Felipe, um garoto espertíssimo que conhecia tudo sobre ervas medicinais e aromáticas. Nessa foto ele tem cinco anos... Hoje tem uns dez e certamente tem muito, muito mais a ensinar :)

Entrevista sobre... minhocas!

Gerusa Pauli, engenheira agrônoma e mestre em Ciência do Solo, ajudou na revisão do livro Fuga das Minhocas. E colabora com nosso blog tirando duvidas sobre esses simpáticos seres.

Quais os inimigos da minhoca?
Além do homem (que coleta minhocas do ambiente natural para utilizá-las como isca para pesca), formigas, sanguessugas, ratos, lagartos, gambás, lesmas, sapos, rãs e aves em geral (desde a galinha até os mais diversos pássaros). Como a minhoca é uma rica fonte de proteínas e um organismo totalmente desprovido de defesas, torna-se uma presa fácil.

Produtos químicos usados na lavoura, como round up, matam as minhocas?
Os danos à comunidade de minhocas presente no campo dependerão da dose e do tipo de produto aplicado. O round up é um herbicida, utilizado para dessecação de plantas, que é bem diferente dos inseticidas (que atuam sobre insetos afetando o sistema nervoso) e dos fungicidas (que atuam sobre fungos). Todos eles são produtos químicos e, desta forma, seu uso na agricultura promove alterações no ambiente, as quais direta ou indiretamente, agem sobre os organismos vivos que habitam o solo, entre eles as minhocas.

Às vezes encontro em cima da laje da minha casa uma minhoca... Como elas vão parar em lugares altos?
Existem algumas prováveis explicações:
a) elas terem sido levadas dentro de vasos de flores ou substratos adicionados em plantas. Isso é bem comum, principalmente quando as pessoas adicionam vermicomposto (adubo orgânico gerado a partir da ação de minhocas e microrganismos em resíduos de plantas e animais em decomposição) como fonte de nutrientes. Juntamente com o vermicomposto, pode haver presença de minhocas, filhotes ou casulos, dos quais eclodem filhotes. Em dias de muita chuva, quando o substrato dos vasos de flores fica encharcado de água, é comum ocorrer a fuga das minhocas, como tentativa de sobrevivência, pois o excesso de água provoca a morte destes organismos.
b) as minhocas também podem ter sido levadas com as plantas. Existem algumas espécies que vivem em bromélias, ficam escondidas no meio das folhas, abrigadas da luz, pois elas são fotossensíveis. Isso demonstra que elas podem sobreviver fora do solo. Mas é importante salientar que nem todas as espécies têm essa habilidade: a maioria vive no interior do solo, abrigada da luz do sol. No período da noite, após fortes chuvas ou irrigações, elas também podem sair para “explorar novos ambientes”. A noite todas são mais ativas e saem de suas galerias em busca de alimento na superfície do solo.
c) a terceira possibilidade seria a minhoca (ou o casulo) ter caído do bico ou das patas de alguma ave que tiver sobrevoado o terraço.

As minhocas são hermafroditas, mas precisam de um parceiro para acasalar?
É isso que acontece na grande maioria das espécies conhecidas até o momento. No entanto, pesquisadores já observaram autofecundação de minhocas que estavam na ausência de parceiros.

A minhoca é um verme?
Bom, a minhoca não deixa de ser um verme e, na natureza, se alimenta de resíduos orgânicos de origem animal e vegetal em decomposição. Mas ela também pode ser considerada como alimento para uma série de animais, desde pequenas sanguessugas e formigas, até o próprio homem. Há inúmeros registros de comunidades indígenas que se alimentam de minhocas frequentemente, pois faz parte da sua cultura. Inclusive eu assisti a vídeos mostrando como os povos coletam, preparam e consomem minhocas como alimento. Sobre as minhocas serem consideradas vermes, essa é uma afirmação verdadeira, tanto que a prática de utilizar minhocas para a transformação de resíduos orgânicos é conhecida como VERMICOMPOSTAGEM.
Dentre os seres vivos invertebrados, existem três filos que englobam animais considerados vermes: os Platelmintos, os Nematelmintos e os Anelídeos (minhocas).

Platelmintos - vermes de corpo achatado em forma de fita (plato = chato; helminto = verme)
Nematelmintos - vermes de corpo alongado, cilíndrico e afilado em ambas as extremidades (nemato = fio)

Anelídeos - vermes de corpo alongado, cilíndrico e dividido em anéis (anelo = anel)

Assim, podemos sim nos referir às minhocas como vermes, embora eu, particularmente, não utilize esse termo.


As minhocas, então, podem fugir, como no livro?
Existe um fato interessante que ocorre em minhocários, que são os locais para criação de minhocas em cativeiro. Se o minhocultor não oferecer boas condições às minhocas, ou seja, alimento suficiente e boas condições de umidade e temperatura, elas podem fugir dos canteiros, "indo em busca de terras melhores" como você colocou.

Humor de minhoca

Sabia que as palavras homem e humanidade vêm de húmus?
Pois é, do pó vieste ao pó voltarás :)
E com certeza as minhocas e outros bichinhos ajudarão nessa transformação!
Leia esse poema de Augusto dos Anjos


Psicologia de um vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênesis da infância,

A influência má dos signos do zodíaco.
Profundíssimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...

Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme — este operário das ruínas —

Que o sangue podre das carnificinas Come,
e à vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los,

E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!